segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Brasil celebra 94 anos do voto feminino nesta terça-feira

O Brasil celebra nesta terça-feira (24), amanhã, 94 anos do voto feminino. Conquistado em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, o direito permitiu às mulheres não apenas votar, mas também concorrer a cargos eletivos, avanço histórico na participação feminina na política e na democracia.

A vitória foi resultado de décadas de mobilização do movimento sufragista, que começou no final do século XIX e ganhou força ao longo do início do século XX. Mulheres de todo o país se organizaram em associações, congressos e campanhas, defendendo o direito de votar e de participar ativamente da política.

O primeiro voto feminino foi registrado em 1933, e a Constituição de 1934 consolidou oficialmente o direito ao voto para mulheres em todo o país.

A luta pelo voto feminino no Brasil começou a ganhar forma no fim do século XIX. Em 1881, a Lei Saraiva reformou o sistema eleitoral e permitiu o alistamento de brasileiros com título científico. Com base nessa brecha, a dentista Isabel de Souza Matos acionou a Justiça para garantir o direito de votar, tornando-se uma das primeiras mulheres a desafiar formalmente a exclusão feminina das eleições.

Uma das pioneiras foi Leolinda Daltro, professora e feminista, que em 1910 fundou o Partido Republicano Feminino, primeira organização política dedicada à emancipação das mulheres. Ela defendia que a participação política feminina era essencial à justiça e à igualdade, mobilizando mulheres por todo o Brasil.

O Partido Republicano Feminino foi pioneiro na luta das mulheres brasileiras pelo voto e, em novembro de 1917, organizou uma marcha pelo centro do Rio de Janeiro, reunindo cerca de 90 mulheres.

A representação feminina na política brasileira ainda segue baixa. O país ocupa a 133ª posição no ranking global de mulheres no parlamento. Embora representem 52% da população, as mulheres têm 17% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 13% no Senado, mostrando que ainda há grande sub-representação, mesmo com o aumento de candidaturas após a adoção de cotas. Dados são da ONU Mulheres e da União Interparlamentar (UIP).

Em Parauapebas, dos atuais 17 vereadores, apenas três mulheres (Erica Ribeiro, Graciele Brito e Maquivalda Barros) ocupam cadeira no Legislativo, representando 17% da totalidade de legisladores.

Em 2024, 727 mulheres foram eleitas prefeitas - o que representa 13% dos 5.569 municípios. Em 2022, apenas dois estados elegeram mulheres como suas governadoras: Fátima Bezerra (PT), no Rio Grande do Norte; e Raquel Lyra (hoje PSD), em Pernambuco.

O Brasil teve uma única mulher na Presidência da República: Dilma Rousseff, que foi eleita em 2010 e reeleita em 2014, tornando-se a primeira mulher a comandar o país. Ela governou de 2011 até 2016.

No cenário internacional, o país que mais teve mulheres no comando do governo é o Reino Unido, com três primeiras-ministras ao longo da história. Em seguida aparece a Austrália, e depois a Finlândia.

Fonte: G1 Rio

Nenhum comentário: