O governo federal destinou R$ 950.150,92 para a contratação do Laboratório de Sistemas Estruturais (LSE), empresa responsável por executar um amplo serviço de monitoramento estrutural contínuo nas duas pontes sobre o Rio Itacaiunas, em Marabá. O investimento, oficializado por meio de contrato firmado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), tem como objetivo avaliar em tempo real o comportamento da estrutura, diante das graves fissuras e anomalias já identificadas ao longo da obra.
De acordo com o extrato publicado no Diário Oficial da
União, o serviço contratado inclui instrumentação da ponte, leitura constante
de dados, análise estrutural e gestão de tráfego, tanto no lado direito quanto
no esquerdo da travessia. O contrato tem vigência de 31 de dezembro de 2025 até
30 de setembro de 2026, podendo ser estendido conforme a necessidade técnica
dos estudos
Além desse valor de R$ 950 mil, ainda há o pagamento para a
Astra Associação Amazônica de Ciência, Tecnologia e Recursos Ambientais, que levou
a Marabá uma equipe especializada, a qual identificou as fissuras e
posteriormente emitiu parecer técnico reconhecendo a gravidade da situação. O
contrato e o valor pago não foram publicados até agora nos portais de
transparência. Certamente, o valor global passa da casa de R$ 1 milhão.
Em ofício encaminhado ao presidente da Câmara Municipal de
Marabá, Ilker Moraes Ferreira, o superintendente regional do DNIT no Pará,
Diego Benitah Batista, detalha que as avaliações técnicas realizadas até agora
já constataram um número significativo de fissuras ao longo da viga-caixão
(parte interna da ponte), além de problemas nas fundações dos pilares,
especialmente nos pilares P2 e P3. Também foram observadas fissuras
longitudinais extensas, em diferentes trechos da estrutura, indicando que a
capacidade resistente das fundações precisa ser requalificada, já que o
desempenho atual está abaixo do previsto em projeto
Segundo o DNIT, os estudos iniciais ainda não conseguiram
apontar com precisão as causas das manifestações patológicas encontradas, sendo
necessária a complementação das análises para uma avaliação mais aprofundada.
Por isso, a contratação do LSE é considerada a única medida técnica capaz de
fornecer dados em tempo real sobre a estabilidade da estrutura, permitindo
inclusive decisões imediatas, como interdição total, caso haja evolução dos
danos que comprometam a segurança dos usuários
Além do acompanhamento técnico, a empresa deverá produzir
relatórios periódicos, com gráficos de evolução da estabilidade e, ao final, um
relatório completo conhecido como “as built das patologias”, funcionando como
um verdadeiro mapa de danos da estrutura, que servirá de base para os projetos
futuros de recuperação ou intervenção.
O documento também revela um cenário ainda mais preocupante:
paralelamente ao monitoramento, o DNIT já conduz em Brasília um processo de
planejamento que avalia possíveis intervenções de grande porte, incluindo
demolição e reconstrução completa da ponte, bem como alternativas de
reabilitação estrutural, dentro do Programa de Manutenção e Reabilitação de
Estruturas (Proarte).
Inaugurada em 2010, a ponte sobre o Rio Itacaiunas é uma das
principais ligações viárias de Marabá, essencial para o fluxo urbano e para o
transporte na BR-230. As recentes constatações técnicas e o alto valor
investido no monitoramento reforçam a gravidade da situação estrutural da obra,
que agora passa a ser acompanhada 24 horas por dia por especialistas.
Enquanto o dilema da interdição da ponte se prolonga sem
perspectiva de solução, o DNIT segue tendo de refazer o pórtico limitador de
altura de veículos que podem acessar a ponte, colocado do lado da Nova Marabá.
Esta semana, pela nona vez, ele foi destruído por algum caminhão que não
deveria passar pelo local, que é bastante sinalizado.
Fonte: Correio de Carajás

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